Ainda que ninguém queira dirigir um carro de 1900, pelo menos não
regularmente, muita gente pensa que a psicologia não mudou quase nada desde
Freud. Elas ficariam surpresas. Na psicologia já aconteceram muitas revoluções,
que transformaram nossas idéias sobre o cérebro e aumentaram nossas
possibilidades de mudanças. Mudança ou Dor Todos nós já tentamos,
ocasionalmente, mudar nossas maneiras de pensar. Quando foi a última vez que
você tentou parar de pensar em uma coisa, ou desistir de um hábito, ou mudar um
sentimento desagradável? Seja uma falta de motivação,
um mau humor, uma sensação de isolamento ou apenas um desejo de mais sucesso,
uma vez ou outra todos nós já quisemos ser diferentes. Todos
nós já quisemos mudar. Você pode até mesmo ter se decidido conscientemente a
mudar, sustentado isso por escrito e contado a alguns
amigos íntimos. Você selecionou livros e fitas sobre o assunto, talvez
tenha até ingressado em um clube. Poucos meses depois, os livros ficaram
pela metade, as fitas jogadas em qualquer canto, e seus amigos, se eram
realmente amigos, foram gentis o bastante para não tocar mais nisso. Se
a sua experiência foi um pouco parecida com a nossa, apesar de suas boas
intenções e do desejo de se tornar diferente, você viu que ainda estava
amarrado aos seus antigos hábitos. Ou talvez você tenha se saído brilhantemente,
tendo até mesmo realizado as metas a que se propôs.
Então, você observou horrorizado que tudo estava inexoravelmente
voltando a ser como era antes. Quando se trata de perder peso ou
mudar estilos de vida, muita gente já teve essa experiência. E para
piorar as coisas, quanto maior o esforço e a dedicação que você empenhasse na
sua transformação, mais enganosa e frustrante ela se
tornava. Uma parte nossa percebe que isto está em total desigualdade com
o mundo em que vivemos.
Afinal de contas, as mudanças estão ocorrendo à nossa volta a uma
velocidade incrível. Vemos produtos novos tornando obsoletos os antigos cada
vez mais rápido. Nossos filhos brincam com videogames que nós mal chegamos a
compreender. Descobrimos que precisamos de mais treinamento para fazer o
mesmo trabalho para o qual já fomos treinados. Ouvimos falar que a mudança é a
única constante na vida, que ela está em toda a parte. Nós vemos isso e
acreditamos, isto é, até que tentamos mudar a nós mesmos. Começamos, então,
a nos perguntar: o que está acontecendo? Somos nós? O que desejamos mudar é
assim tão difícil? Se parar por um momento e olhar a sua vida de uma perspectiva
ligeiramente diferente, verá que você está sempre mudando.
Afinal de contas, você começou como um bebê, pesando apenas alguns
quilos. Cresceu, depois se transformou em um adolescente e agora é um
adulto. Sua aparência física, óbvia ou sutilmente, vem mudando a cada
ano, quer você goste disso ou não. Você costumava gostar de balas e outras
guloseimas, ou bonecas, motocicletas ou qualquer outra coisa mais
do que tudo no mundo e, mesmo que você ainda goste de tudo isso, outras
coisas que nunca imaginou que apreciaria se tornaram bem mais importantes.
Com o passar dos anos, de bicicletas a embalos de sexta-feira à noite ou bilhetes
para assistir um jogo, seus interesses
mudaram. Mesmo recentemente, há coisas que você mudou com facilidade.
Foi em uma dessas épocas em que você nem se preocupava com isso. Era
quase como se você descobrisse que estava fazendo as coisas de outra
maneira. Você simplesmente deixou de comer uma determinada comida ou de
usar um certo estilo de roupa. Ou talvez tenha desenvolvido um novo
interesse ou hobby. Você nem pensou nisso. Foi preciso que os amigos
lhe mostrassem a mudança. "Ah, sim", você disse, "mudei de ideia."
Qualquer método realmente eficaz de mudança terá que explicar por que,
às vezes, é tão difícil mudar e por que, às vezes, é tão absolutamente fácil fazer isso.
Se você pensar bem, uma mudança não é coisa que leve muito tempo. Ela
acontece em um instante. Talvez você ficasse nervoso diante de muitas pessoas,
e, um belo dia, você acorda e percebe que não fica mais. Durante anos você se
sentou em frente de uma televisão e resolve, em vez disso, sair para dar uma
caminhada ou praticar um esporte. Você achou tempo para voltar a estudar ou fez
um esforço maior para conseguir aquela promoção. Você pode ter passado
algumas semanas, meses ou até anos se preocupando com isso. De repente,
percebe que as coisas mudaram. Se você sabe fazer uma coisa, isso deveria ser
fácil. Afinal de contas, você não se queixa quando seu carro pega logo que você
o liga ou que o controle remoto da TV seleciona exatamente o canal que você
quer. Vendo as coisas assim, é quase uma perversidade humana que
nos incentivem a medir a importância de uma mudança pessoal pelo volume
de dificuldades, sofrimentos ou tempo que ela nos exige. É um exemplo de
"sem esforço nada se ganha". É como se tudo o que fosse sofrimento em nossa
vida representasse progresso. Se mais dor representasse maior progresso, nós a
estaríamos buscando, em vez de evitá-la. Se as longas
lutas e sofrimentos fossem o caminho real para o sucesso, estaríamos
todos indo a pé para o trabalho e ainda estaríamos escrevendo a lápis e
enviando a correspondência a cavalo.A dor é um sinal de que é hora de mudar.
Se as nossas mãos tocam uma
superfície quente, nós as retiramos. A dor é um indício de que estamos usando a
abordagem errada. Ela nos diz que é hora de fazer alguma coisa diferente. Lutar
muito temo sem ter sucesso e sinal de que o que estamos fazendo não funciona.
E hora de fazer uma outra coisa, qualquer coisa. É hora de perceber que a dor, a
luta, o sofrimento e á espera são sinais de que está na hora de mudar de
abordagem. São suplementos operacionais ao processo de mudança que
podemos facilmente abandonar. Software para o Cérebro Recentemente, o
computador chamou a atenção de cientistas e psicólogos como um modelo do
nosso cérebro. Se o nosso cérebro é uma espécie de computador, então nossos
pensamentos e ações são os nossos softwares. Se pudermos mudar nossos
programas mentais, assim como mudamos um software ou fazemos o seu up
grade, conseguiríamos imediatamente mudanças positivas no nosso desempenho.
Conseguiríamos melhorias imediatas na nossa maneira de pensar, sentir, agir e
viver. A comparação com computadores também explica por que mudar, às vezes,
é tão difícil. Não importa o quanto a gente queira, deseje ou espere, isso não vai
fazer o upgrade do nosso software. Nem ficar zangado ou digitar as mesmas
instruções várias vezes seguidas vai adiantar alguma coisa. O que precisamos
fazer é acrescentar novas instruções aos nossos programas atuais onde elas são
necessárias. Com um computador, a maneira de fazer isso vem explicada no
manual junto com o software. Com os seres humanos, o desafio é maior. Como
diz um trainer de PNL, "Seres humanossão os únicos supercomputadores que
podem ser produzidos, ou melhor, reproduzidos, com trabalho não especializado...
E eles não vêm com manuais de instrução". Isto é, até agora. O que estamos para
lhe oferecer é o manual de software para o seu cérebro. Você talvez tenha um
computador pessoal em casa ou no trabalho. Nesse caso, provavelmente, você
terá nele vários softwares, como um processador de textos, uma planilha, um
programa de desenho, um programa de diagramação, utilidades e, talvez, alguns
jogos. Se um vendedor de computadores lhe dissesse que você precisaria de uma
máquina para cada programa, você lhe diria, "De jeito nenhum". Mas é isso que a
maioria das pessoas, sem perceber, faz consigo mesmas. Elas aprendem a fazer
bem uma coisa vender, gerenciar, motivar, solucionar problemas, planejar,
delegar, seja o que for e depois de algum tempo pensam, "É nisso que sou bom".
Elas desenvolvem uma área de especialização, e depois, simplesmente, não
sabem como mudar seus programas mentais para desenvolverem uma outra
atividade. Se o seu computador pessoal não rodasse um processador de textos e
uma planilha, você mandaria ver o que estava errado com ele. Mas quando as
pessoas não conseguem trocar programas mentais, elas começam a arranjar
desculpas. Podem até dizer que lhes falta talento, tipo físico ou perfil de
personalidade ou até mesmo um signo astrológico para este tipo de coisa. Mas
ninguém pensa que a forma, a configuração ou data dê fabricação de um
computador limite, automaticamente, o desempenho com determinados
programas. As limitações são basicamente de software, não de hardware. Como o
dr. Wilson van Dusen, Ph.D. e antigo psicólogo chefe do Mendocino State
Hospital, na Califórnia, descreve: "Tenho observado o cenário
psicoterapêutico desde quando Freud era a sua voz principal. Antes, a
psicoterapia rápida levava apenas uns seis meses. Agora, temos as curas
em trinta e até em cinco minutos com a PNL. A velocidade não é o que
importa. Estamos chegando perto da verdadeira essência das
pessoas." Para mudar o que queremos, precisamos mudar a maneira como
fomos projetados para mudar. Considere o que você seria capaz de fazer
se tivesse um manual de instruções para o seu cérebro.